Fragmentos Caóticos de Um Ex-Humano  

Música: "Atos" (alexandre lemos) com Luhli

Uptime Report



Já não sei reiniciar textos, assim como uma velha senhora que reinicia depois de anos o seu tricô. O tricô vai se transformar em um agasalho ou num cachecol, mas e minhas letras? Que finalidades têm elas? Para onde vão estas poucas águas que ainda brotam de meus olhos? Falar de meus sentimentos, minhas amarguras, minhas coisas perdidas ou deixadas lá atrás, num atrás amarelado e repleto desta coisa que claramente pensamos ou dizemos: velhice? Qual flor que por mais resistente e robusta se sustenta tanto a ponto de alcançar a próxima primavera? Houvesse uma tela, um pincel, uma aquarela e, quem sabe também a bondade de quem me deu tela e pincel e cores, e eu, sem pestanejar, metia na tela o pincel já encharcado de uma cor qualquer, que depois pediria por outra, mas já havendo uma pré-definição de caminhos até a paisagem final. Mas não, nem isso, ou nada parecido com isso. Não, nada disso. Sou como a casa infestada de baratas, que já não tendo esconderijos saem à procura dos outros cômodos, das partes externas e claras e frias normalmente evitadas por elas instintivamente. Que texto barato, ó velho escriba, mas minhas dores internas já infestaram tanto meus esconderijos úmidos e quentes que agora vão para fora, na forma de dores físicas, cansaços e sentimentos de abominação. Pago pelas drogas que me garantem dias sem surtos. Pago pelas drogas que me garantem descanso. Pago pelos dias que terminam e nunca são o último. E já não me perturbam tanto as luzes cinzas dos começos das manhãs. Ignoro-as. E os dias escorrem rápido como córregos poluídos para desaguar no rio necessário de todas as dores de todos os inconscientes. No rio de águas negras, paradas superficialmente como as águas de Escorpião. As correntezas se cruzam no profundo dessas águas. Lá estão os que brincam de felicidade, como eu brinco vez em quando nas luzes do ópio...É só o que pode fazer um corpo cansado de um homem: fechar os olhos para se esconder de si próprio e reinventar destinos e renovar lágrimas. Fosse possível eu congelaria gota a gota cada lágrima que escorre por este rosto indefinido de clown encolhido no camarim. Fosse possível eu teria um ártico repleto delas esperando por um impossível sol que as transforme num canal de mar espremido entre montanhas. Você, que por acaso ou destino, está neste momento neste morgue lendo estas letras exumadas o que você diria? Você tem esperança? Crê num sol, num deus, num amor? Para cada sim eu sinto mil picadas de inveja. Sim, de verdadeira inveja, pois já fui como você um dia e a esperança cegou meus olhos. É madrugada agora. Posso ficar sossegado ouvindo esta música de ossos estalando nesta carne. Foi só coincidência estarmos aqui neste instante que já acabou.

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008  


Poderia ser um teatro do absurdo. Poderia ser mais um rinoceronte invadindo as cidades. Mas ainda sou eu. Neste ponto da vida ainda sou eu. Não deixo de ser absurdo nem teatral. Queria aprender que gozo tem a vida. Saber o que pode ter de tão interessante em manter-se vivo. Estou morto em vida a tempos. Um espelho quebrado, feito em cacos, um quebra-cabeças de milhares de peças, muitas faltando, muitas falsas. Meus desejos todos assassinados pelo medo. Então. Só me resta a raiva? Este é o sentimento que melhor se assenta em mim. Passaram-se todos os trens, foram-se todas as estações....Escrever já não afasta nenhum fantasma. Envelheço sem nenhuma dignidade, sem nenhuma graça. Em mim só o ranço do que é velho: amarelamentos e naftalina.

Utilizei toda a minha juventude para os fracassos, as utopias e o pai medo. Nunca fui quem eu supunha que fosse, nem o que supunham ou quisessem que eu fosse. Mas meu desejo foi o desejo de que me desejassem. Primeiro a mãe. Depois a vida e as coisas dela. Sou a derrota para o desafio que eu mesmo me impus. Eu que que já me julguei tão caleidoscópico já não sei nem juntar as letras que assopradas formam meu nome. E quanto aos meus desejos, viraram dejetos. O que pode ser aproveitado numa terra seca?

Estou dentro de um túnel e este túnel sou eu mesmo. Analiso-me. Procuro encontrar entre tantos nós onde está o primeiro deles, o maior deles, o mais forte deles?. O tempo é curto e já não sei percorrer tantos espaços. Onde estou?

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Segunda-feira, Abril 21, 2008  




Não me tome a sério
Não me torne triste mais que sou
Não me tenha assim
Tão cansado
Que horas tão exatas
Tão tardes!

Agora passa o filme que amanhã repete
O mesmo velho filme
Já tão gasto
Ergo tão lento a mão direita ao alto
Minha mão pesa mais
Que o ar que quero tocar
Tão pesado o ar
Quero pegar algo
Não posso
Parado
Este ar não se move
Nuvens densas desfazem-se
Mas não é aqui
É lá fora
Este verão é tão úmido
Algum resto de fim de sol quis brotar
Brotou, não sei
É tão nostálgica a tarde
É mística esta hora
É a Tua presença poderosa
Que horas tão exatas
Tão tardes!

Não, não abra mais janelas neste dia
Tenho muitas já abertas ao redor
Os vidros estão fechados
É preciso preservar o silêncio
Há tanto barulho predatório
Estão em extinção nossos silêncios
Meu braço esquerdo está adormecido
Estou a tanto tempo aqui assim
Quando vier a noite não terei luz
Sim Você está certo
Eu não preciso de luzes
Tenho tido olhos nas pontas dos dedos
Olhos luminosos
Com que vejo tudo que existe
Perco a conta dos anos que somo
Portas falsas
Estas a minha volta já abertas
Não me ensines mais verdades
Além das que eu tenho conhecido
A mim basta o castigo da memória
Aves estranhas fazem revoadas sinistras
Sobre mim
Escapam de meus pensamentos
Ou são meus próprios pensamentos
Que voam escapados
Lembranças
Pombos
Morcegos
Que horas tão exatas
Tão tardes!

Amanhã verei este filme novamente
Está gasto
Tem riscos e coisas desbotadas
Mas o conheço decorado
Repito frases mecanicamente
Nas minhas deixas
O mesmo texto
O mesmo roteiro
Lá fora as nuvens estacionaram em fileiras
Por que as nuvens não se movem agora?
Desculpe
Não quis duvidar de Você outra vez
Apenas não entendi por um instante
Olha lá
Elas já se movem
Lentamente transmutando figuras
Sentimentos
Quantas cores conhecidas
Não se inventam mais cores
Já sei de todas elas
Não me tome a sério
Nem me tenha triste
É só um pedido que faço a Você
Filetes de suor escorrem
Pela minha testa
A chuva que caia parou
De algum modo sou eu que chovo agora
Estou molhado
Embora lhe pareça seco demasiado
Penso que a melancolia que sinto
É um rio submerso
É como uma dor
Talvez eu me confunda
E esta dor seja apenas parte minha
Como as luzes
(Talvez um dia elas saiam de mim)
Será que há sono que dê esquecimento
A esse cansaço?
Estou exausto
Mas não haverá um fim num sono
Nem começo num despertar
É esta permanência
É esta continuidade lenta
Que horas tão exatas
Tão tardes!

Meu suor cai em gotas
Assim como os segundos
Assim como o soro divinal
que entrava em minha veia
Me mantendo vivo
Meu corpo está cada vez mais dormente
Logo serei só alma prisioneira
Há moscas que zunem
Algumas sombras se formam
E lembram vultos de pessoas conhecidas
Que cultivam este silêncio comigo
Algumas fazem pequenos movimentos com o rosto
E com os lábios que parecem murmurar
Preces e ladainhas
Quase imperceptíveis
Apenas a respiração se manifestando lenta
O Tempo é assim
Breves suspiros e olhares lânguidos
Dentro da exatidão das horas
Que ninguém percebe
A não ser eu que percebo tudo
Cada detalhe que Você me presenteia
Cada gota
Cada segundo
Este espaço é Teu não é?
Esta vida toda passando num quadro
Pregado na parede
Já reparou?
Uma paisagem eterna
Dentro de outra que se move
Que grande mecânica a Tua
O prego na parede garantindo
A existência do quadro que não se altera
Foi Você quem me pregou aqui?
E me deixou assim
A ver o eterno rebobinar da mesma história?
Às vezes sou um pouco como Você
E me dou ângulos novos de visão
Nessas vezes me admiro
Tão criativo e lúcido
Embora às vezes sendo como Você
Sou menos criativo nas metáforas
E mais lúcido no sentido das imagens
Você é mágico
E eu tenho uma lucidez quase cruel
Com a qual me descubro preso
Ao quadro
Vinte e quatro horas por dia
Vinte e quatro quadros por segundo
Preso à parede
E a Você
Sou Você e eu
E sou ambos melancolicamente
Perdoe-me as descobertas
São gotas que caem
Mas que não chegam a fazer poça
Eis que logo vem o estio
Eis que logo vou rever o filme
Que horas tão exatas
Tão tardes!


("velho filme" 1990)

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007  




Você que me vê
não vê a mim
são meus despojos que estão à vista
são meus dejetos despejados
esta massa a quem você chama
pelo meu nome
não me toque
que estou sujo
meu pranto sai de mim
como o vômito
de uma bebedeira anterior
e o meu choro é um lago imenso
flutuam aves mortas
sobre as minhas lágrimas
são vôos abatidos
viagens terminadas
me sinto só
como uma pequena nuvem
num céu agreste
me sinto perdido
como um riacho entre montanhas
e a voz que eu tenho
pra lhe dizer tudo isso
é este fio entre soluços
o teu olhar me pesa como uma sentença
e a minha condenação é a uma dor eterna
e tão intensa
que não há grito que traduza
meu horror diante dela
e o que eu quero
é nem ter a consciência deste instante
quero ser a água do meu pranto
lavando o meu destino
e eu choro tanto
como há tanto eu não chorava
um choro de criança abandonada
um choro de uma alma
ao lado de seu próprio cadáver
sou como a carniça desse corpo
num deserto distante
e suas mãos descendo sobre mim
são abutres a bicarem meus olhos
sua compaixão
são as hienas
a destroçar meus membros
sua boa intenção
é uma pá de terra
talvez uma cruz com meu nome
escrito nela
mas estou vivo, tão vivo
como nunca estive
como nunca soube estar
e só o que percebo
é esse véu negro a lhe esconder o rosto
teus lábios murmurantes
a prometer descanso
meus lábios ressequidos
a desesperar de ti
e essa mortalha branca
a afastar as moscas de meu rosto.

(1987)

balbuciado por grunnus in excelcis às 17:23
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Terça-feira, Agosto 21, 2007  




Eles estavam gargalhando quando me viram subindo a ladeira
Então se puseram na minha frente impedindo a subida
Me perguntaram se eu tinha dinheiro eu disse que não
Me perguntaram se eu acreditava em deus eu disse que não
Me perguntaram se eu tinha medo eu disse que não
Me perguntaram se eu trabalhava eu disse que não
Me perguntaram se eu era louco então eu menti e disse que não
Então saíram da frente e eu continuei minha subida
Eles continuaram gargalhando quando me viram subindo a ladeira

balbuciado por grunnus in excelcis às 03:26
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Sábado, Julho 28, 2007  




Ah, o tédio
e essa chuva que cai lá fora
nesta madrugada e transforma
a insônia desta noite
numa amarga nostalgia
(este som da chuva lá de fora)
cheia de relâmpagos e trovões
e medos antigos dos dias chuvosos
ânsia de recolher às pressas
minhas coisas que deixei no pátio
meu cachorro, meus brinquedos, meus amores,
vidas...
preocupação
(ensopada desta chuva que não molha)
de que a enxurrada
que lá fora corre violenta
leve tudo o que eu já tive novamente
e leve, o que eu já nem sei se tenho
e leve, pesadamente levando...

Mas hoje não há mais perigo
já não há mais pátio nem enchente
nem coisas que são minhas
só essa chuva barulhenta
que ainda permanece
remexendo em mim, dentro
acordando velhas assombrações
anotações que eu fiz neste caderno
bem guardado, que a chuva não leva
mas também não lava esta alma


(tédio, março/87)

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Quinta-feira, Julho 26, 2007  




e o que você fará com teu imenso amor com que dizes me socorrer quando os delírios ficarem mais constantes e eu começar a vomitar sangue perder os dentes cagar na cama quando olhares para meus lábios que dizias serem carnudos e bons quando te beijava e te lambia inteira e cada vez mais depressa tornarem-se dois riscos murchos balbuciando coisas incompreensíveis e meus olhos ah meus olhos tão intensos e inquietos e infantis ah estes olhos que você não mais reconhecerá quase cegos ah por que tantos anos de esperança nesse amor dirás ou pensarás em voz alta e queixarás ao demiurgo que chamas de deus e teu eterno amor ganhará cores cinzas e frias e quase me odiarás por eu ter sido assim sempre acreditando que eu gostava de ser um louco carrasco de mim mesmo agora assim eternamente assim prisioneiro e quando chegar aquele dia que nunca sabemos quando tu estarás certa de que já não percebo nada e contrariando toda a ciência sim sim eu estarei ainda presente ainda mais inteiro castigando-me com uma tamanha lucidez com uma tamanha crueldade e não saberás da piedade que terei por ti e uma voz muda dentro daquilo que fui eu gritando culpado culpado culpado subindo para o inferno exterior onde existem flores e coisas como manhãs sol terra e teu amor não terá mais importância mesmo que tenha sido sincero e nem meu nome e nem mais nada e nunca mais enganos veja estou ficando livre das correntes por que não precisa? porque não preciso

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Segunda-feira, Julho 23, 2007  




Eu quero que o mundo se dane
Que se dane quem tem fome
E quem não tem vá se danar também
Eu daqui não me levanto
Nem pra esquentar a água
Fazer um café gostoso
Que se dane o café gostoso
E se cachorro inventar de latir
Pra esse eu tenho um pau
Daqueles de amansar maluco
E pra´quela gente que fica lá fora rezando
Essas rezas de espantar capeta
E pro ladrão tinhoso
Que cresce os olhos no varal
Pra esses eu tenho minha escopeta

Eu quero que o mundo se dane
Que se dane quem vai pra guerra
E quem não vai vá se danar também
Eu daqui não me levanto
Não quero arrumar trabalho
O ganho é pouco a labuta é muita
E eu não encho mais a pança
De nenhum filha da puta
O trabalho da minha mão
É o de ir até o pescoço
De quem vier me cobrar imposto

Eu quero que o mundo se dane
Que se dane o preto o pobre o miserável
E quem for o contrário disso vá se danar também
Eu daqui não me levanto
Nem pra acender um cigarrinho
Ou botar um dubão na marica
Pra eu rir dessa vidas certinhas
Ficar com a cara que vocês me vêem
Rindo rindo rindo rindo rindo

balbuciado por grunnus in excelcis às 02:42
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Sexta-feira, Julho 06, 2007  




Mais uma vez, eu ando por aquele caminho que você não gosta. Não quero ver você atrás de mim. Não quero ser o farol do teu mar aberto. Eu quero ir além do '' do teu alfabeto. Fecho as portas que nunca foram abertas, me desligo das idéias que nunca foram de verdade, eu não quero mais um sol que me aqueça, só quero que você me esqueça e não venha arder sobre as novas noites frias deste velho inverno

Mais uma vez eu vou por aquele caminho que você odeia. Meu ópio é uma nuvem densa nessa praia que você adora, eu encho um copo de absinto sobre a breja num boteco descolado co´essa gente alegre sempre rindo. Eu só quero que você aceite que eu estou indo. Pra que teus arrependimentos não voltem mais, como num repuxo do mar se agarrando nos meus tornozelos nus. Pergunte a Deus que me queria tão Adão e amém, por que deixou uma serpente por eterna companheira, sementes de Nietzsche pelos sulcos deste eon?

Mais uma vez, a derradeira vez, por este caminho que você detesta. Encontrar com os fantasmas, meus monstros e meu Cristo. Agradecer a ele que me ensinou a dor, pelos meus caminhos de espinhos e de escuros. E não importa que você me ame, não importa que você reclame, agora eu sou a seta, sou o alvo, sou a resplandescente estrela da manhã, agora sou o filho da alva

balbuciado por grunnus in excelcis às 03:48
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Sexta-feira, Junho 22, 2007  


Por que esses dias não terminam? Sempre iguais...Tô cansado. Não existem dias diferentes? Não, só as noites são diferentes. Deixa-me anoitecer...

balbuciado por grunnus in excelcis às 01:30
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Segunda-feira, Junho 18, 2007  



PORTA ABERTA

É difícil ser poeta
E ver-se à mercê da porta aberta
Ávido por atravessá-la
E do outro lado
Dar em nada ou tudo
É um jogo de Alice
Do outro lado do espelho
E do outro lado ser o mesmo
De um jeito estranho
De um jeito revés
Olho para traz
E vejo a mesma porta aberta
E uma voz por dentro
Ou desejo
Vindo do futuro do espaço aberto
Ou da alma
(Alma não tem tempo)
E ela diz
Parta
É difícil ser poeta
Diante de uma porta aberta
Que te faz olhar para o outro lado
De si mesmo
Outro lado mesmo lado
Meio dia em meio à noite
Quase claro
E é escuro
É preciso fechar a porta
Antes que seja tarde
E pingar um ponto neste ponto
Neste exato ponto


(set/96)

balbuciado por grunnus in excelcis às 18:21
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Sexta-feira, Abril 20, 2007  



Mas restam outros espetáculos, aquele último e perpétuo dia do juízo, aquele dia não esperado pelos povos, dia escarnecido, quando tamanha antigüidade do mundo e tantas gerações serão consumidas num só fogo. Quão vasto será então o espetáculo! Como admirarei! Como rirei! Lá me alegrarei! Lá exultarei, vendo tantos e tão grandes reis, de quem se dizia estarem no céu, gemendo nas mais fundas trevas, junto ao próprio Júpiter e suas testemunhas. Do mesmo modo os líderes, perseguidores do nome do Senhor, derretendo-se em chamas mais cruéis do que aquelas com que maltrataram os cristãos!(...)per fidem

(nietzsche - "genealogia da moral")

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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007  



CANDY GUNS

I´m going home
I live there on the high mountain
I take candy guns
Are you any care for me?
As same mommy? Aha...

I´m going home
I´ve hopes there
Today is tomorrow kind
Kind as quick, kind as rabbit, kind as
Me and my shots to mine
Candy guns, oh my candy guns

Our high hopes on the high mountain
After our big fights, I don´t know
No realizes, no surprises
Ahh don´t wake up child
Keep your pretence sleeping

Sleep child and no ask, no cries
Of every days, be cool
And maintenence this silence
Oh sunrise over there
Side to side of my slow steps

Under the sky, under the sky
Over the Earth, there on the mountain
Place to drive your car, to drink your milk
And eat the blessed bread of all day, you don´t claim
I´m going home, a going home
Bringing my candy guns
And all you really care
And sunrise, (your precious hopes)
Under the sky, (over the world)
My candy guns making life
Go around, oh so go...

Ringing bells, ringing bells...
Oh ya...
Oh ya...

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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007  




1º de janeiro, lá pelas três da manhã, passado o inevitável foguetório dos que acreditam em datas, levei minha cachorra-amiga Biancuda pra passear. Mas na Brigadeiro descia aquela escumalha embriagada, como um batalhão de ébrios. Brigas por todas as partes, vandalismo, garrafas vazias sendo atiradas na rua, gente chorando, gente vomitando, mijando. Que bacante decadente é essa? Um desfile interminável de uma juventude sem sentido, sem idéias, coletivamente imbecilizados por essa matrix do século vinte e um. Muitos vinham vestidos de branco. Por que branco?

Aos que me desejavam feliz 2007 com muitas realizações e ba-bá-bá ba-bá-bá, educadamente respondia "igualmente", sem entusiasmo nem alegria. "Alegria é a prova dos nove..." como ensinou Torquato (também aprendi a enojar-me com essas bananas eternamente ao vento tropical) e eu nunca passei nessas provas.

Antes que algum galo ringtone cantasse pela primeira vez, já em casa (pois que um ser superior como um cão, no caso, minha Biancuda, não merecia ver aquele carnaval degradante de ratos) contabilizei dois graves acidentes de carro com vítimas aqui perto de casa, provocados pelo excesso de álcool e humanidade.

Eu, que sou tratado como um ET quando recuso "a cervejinha da sexta", acendi meu baseado (como vês, sou um delinqüente e financiador do narcotráfico) e fui dormir o sono desesperançado dos ímpios ao som do tropel e guinchos dos ratos.

balbuciado por grunnus in excelcis às 02:11
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Terça-feira, Janeiro 02, 2007  


DES


APARECIDO



Me llaman el desaparecido
Que cuando llega ya se ha ido
Volando vengo, volando voy
Deprisa deprisa a rumbo perdido
Cuando me buscan nunca estoy
Cuando me encuentran yo no soy
El que est enfrente porque ya
Me fui corriendo mas alla
Me dicen el desaparecido
Fantasma que nunca está
Me dicen el desagradecido
Pero esa no es la verdad
Yo llevo en el cuerpo un dolor
Que no me deja respirar
Llevo en el cuerpo una condena
Que siempre me echa a caminar
Me dicen el desaparecido
Que cuando llega ya se ha ido
Volando vengo, volando voy
Deprisa deprisa a rumbo perdido
Yo llevo en el cuerpo un motor
Que nunca dejade rolar
Yo llevo en el alma un camino
Destinado a nunca llegar
Me dicen el desaparecido
Cuando llega ya se ha ido
Volando vengo, volando voy
Deprisa deprisa a rumbo perdido
Perdido en el siglo... siglo XX... rumbo al XXI

(Manu Chao - "Desaparecido")

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Quinta-feira, Dezembro 28, 2006  



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